Archive for Agosto 31, 2009


Horace Silver

Um dos mentores do hard bop, Horace Silver tocou com Stan Getz, Coleman Hawkins, Lester Young, Art Farmer, Milt Jackson e Miles Davis, e teve uma associação marcante com Art Blakey e os Jazz Messengers. Formou seu próprio quinteto em 1956 e desde então trabalhou bastante com esse tipo de formação, sendo um dos principais líderes de pequenos conjuntos. Passou quase trinta anos associado ao selo Blue Note. É compositor de vários temas que ficaram bastante conhecidos.

Horace Silver ficou associado ao estilo pianístico conhecido como “funky”. Inspirado no soul e no gospel, o jazz funky se caracteriza por uma repetição obstinada de figuras rítmicas sincopadas. Os improvisos são mais longos do que no bebop. As composições freqüentemente possuem uma forma estruturada em seções. Os sopros e metais comparecem desempenhando a função de moldura para a seção rítmica.

Silver é um pianista de toque duro, entrecortado e percussivo. Sua música é vigorosa e fortemente rítmica. É um excelente intérprete de blues. Entre os descendentes musicais de Silver e de seu jazz funky podemos incluir Herbie Hancock e Wayne Shorter.

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Nascido do blues, das work songs dos trabalhadores negros norte-americanos, do negro spiritual protestante e do ragtime, o jazz passou por uma extraordinária sucessão de transformações no século XX. É notável como essa música se modificou tão profundamente durante um período de apenas um século.

O termo jazz começa a ser usado no final dos anos 10 e início dos anos 20, para descrever um tipo de música que surgia nessa época em New Orleans, Chicago e New York. Seus expoentes são considerados “oficialmente” os primeiros músicos de jazz: a Original Dixieland Jass Band do cornetista Nick LaRocca, o pianista Jelly Roll Morton (que se auto-denominava “criador do jazz”), o cornetista King Oliver com sua Original Creole Jazz Band, e o clarinetista e sax-sopranista Sidney Bechet. Em seguida, vamos encontrar em Chicago os trompetistas Louis Armstrong e Bix Beiderbecke, e em New York o histriônico pianista Fats Waller e o pioneiro bandleader Fletcher Henderson. Em 1930 o jazz já possui uma “massa crítica” considerável e já se acham consolidadas várias grandes orquestras, como as de Duke Ellington, Count Basie, Cab Calloway e Earl Hines.

A evolução histórica do jazz, assim como da literatura, das artes plásticas e da música clássica, segue um padrão de movimento pendular, com tendências que se alternam apontando em direções opostas. Em meados dos anos 30 surge o primeiro estilo maciçamente popular do jazz, o swing, dançante e palatável, que agradava imensamente às multidões durante a época da guerra. Em 1945 surge um estilo muito mais radical e que fazia menos concessões ao gosto popular, o bebop, que seria revisto, radicalizado e ampliado nos anos 50 com o hard bop. Em resposta à agressividade do bebop e do hard bop, aparece nos anos 50 o cool jazz, com uma proposta intelectualizada que está para o jazz assim como a música de câmara está para a música erudita.

O cool e o bop dominam a década de 50, até a chegada do free jazz, dando voz às perplexidades e incertezas dos anos 60. No final dos anos 60, acontece a inevitável fusão do jazz com o rock, resultando primeiro em obras inovadoras e vigorosas, e posteriormente em pastiches produzidos em série e de gosto duvidoso. Hoje existe espaço para cultivar todos os gêneros de jazz, desde o dixieland até o experimentalismo free, desde os velhos e sempre amados standards até as mais ambiciosas composições originais para grandes formações. Mas qual seria o estilo de jazz próprio dos dias de hoje? Talvez o jazz feito com instrumentos eletrônicos – samplers e sequenciadores – num cruzamento com o tecno e o drum´n´bass. Se esse jazz possui a consistência para não se dissolver como tantos outros modismos, só o tempo dirá.

Grande dupla do Jazz contemporâneo.